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Como Sofia perdeu 11 kg viajando a trabalho na maior parte das semanas do ano

Sofia é consultora de gestão em Madri. Durante a maior parte dos seus trinta, voava para algum lugar na segunda de manhã e voltava para casa na quinta à noite. Escritórios de clientes, cafés da manhã de hotel, portões de embarque, jantares tardios com a equipe. Tinha feito quatro tentativas sérias de perder peso entre 2019 e 2024 — cada uma morreu na primeira viagem de trabalho.

Quando recomeçou em 2024, pesava 78 kg. Não era catastrófico. Mas cada foto dos cinco anos anteriores contava a mesma história: um corpo se afastando aos poucos de um que ela reconhecia.

As viagens que ela culpava

Quando explicava o problema para as amigas, o roteiro era sempre o mesmo. "Duas semanas em casa eu seguro. Aí estou em Frankfurt, e a única coisa aberta depois do workshop é o cardápio do restaurante do hotel, com três saladas e doze pratos pesados. O que é que eu vou fazer?"

Parecia razoável. Também não era bem verdade.

Quando ela voltou atrás e listou os dias realmente calóricos, o que pulou aos olhos não foram os jantares. Foram:

  • Cafés da manhã de hotel que ela tratava como grátis porque vinham incluídos
  • Pães doces no aeroporto, porque estava de pé desde as 5
  • Vinho nos jantares com cliente, toda noite, porque o cliente bebia
  • "Só um" — o lanche que um colega passava no voo de volta

Cada um sozinho era pouco. Empilhados ao longo de uma viagem de quatro dias, eram o problema inteiro.

O que ela mudou primeiro

Não redesenhou a dieta. Não levou frango meal-prep em pote para Düsseldorf. O que ela mudou de verdade foi isto: comprometeu-se a registrar absolutamente tudo o que comia, mesmo quando não sabia o número.

Croissant no portão B17, 6h40 — registre. Melhor chute. Segue.

Essa era a regra inteira. Sem meta de precisão. Sem orçamento diário em dias de viagem. Só: nada fica sem ser contado.

A semana em que parei de fingir que ia voltar a trackear na segunda foi a semana em que o peso começou a se mexer.

Duas coisas aconteceram. Primeiro, o próprio ato de registrar tornou o pão doce do aeroporto menos automático — quando você tem que digitar, às vezes percebe que nem estava com fome. Segundo, ela tinha dados reais. No fim do primeiro mês ela via que seus dias de viagem ficavam, em média, cerca de 700 calorias acima dos dias em casa. Não 2.000. Não uma catástrofe. Um número que ela podia atacar.

O playbook em que ela parou

Depois de uns meses, surgiu um pequeno conjunto de regras. Nada dramático.

  • Café da manhã de hotel: ovos, frutas, café. Pular a vitrine de pães doces, a não ser que seja a refeição que ela escolheu para o dia.
  • Aeroporto: levar seu próprio lanche de casa — amêndoas, uma fruta, uma barra de proteína. Comida comprada no portão é para emergência, não padrão.
  • Jantares com cliente: pedir o que tiver vontade. Uma taça de vinho, não três. A cesta de pão fica do outro lado da mesa.
  • Voo de volta: nada. Em três horas está em casa e come lá.

Nenhuma dessas regras é heroica. A ideia é que cada uma é uma decisão que ela tomou uma vez, na mesa da cozinha, em vez de num portão da Lufthansa às cinco e meia da manhã.

O que somou no fim

11 kg em quatorze meses. Em média três viagens por mês nesse período. Pelas suas próprias palavras, foram os quatorze meses de menor estresse com comida que ela tinha tido em anos, porque não estava mais numa negociação permanente consigo mesma sobre se "essa viagem conta."

O corpo que ela tem agora é o mesmo corpo. As viagens não mudaram. O que mudou foi que ela parou de tratar a vida profissional como um parêntese em volta da dieta, e começou a tratá-la como a dieta.

Community stories. Not medical advice. Consult a professional before changing your diet.