O turno de Nadia começava às seis e terminava quando o último cliente habitual finalmente ia para casa — normalmente bem depois das duas da manhã. Estava atrás do mesmo balcão havia sete anos, e em algum ponto desses sete anos tinha ganhado onze quilos sem nunca, uma única vez, ter sentido que comera demais.
Era essa a parte desconcertante. Saltava o pequeno-almoço quase todos os dias. Raramente se sentava para um jantar a sério. Se lhe perguntassem o que comia, teria dificuldade em nomear uma única refeição grande.
As calorias que não parecem refeições
O que há de próprio em trabalhar num bar é que a comida e a bebida deixam de ser acontecimentos. Tornam-se uma corrente onde se está de pé durante oito horas.
Havia o copo de fim de turno que o dono servia ao fechar. Os goles de "prova isto" quando testavam um cocktail novo. As batatas que ela beliscava do pass da cozinha porque não comia nada desde as duas da tarde. A bebida energética à meia-noite para aguentar a enchente. E depois, finalmente, o verdadeiro problema: a refeição às três da manhã, de pé na cozinha, porque estava demasiado acelerada para dormir e demasiado vazia para pensar com clareza.
"Não comia refeições. Petiscava durante oito horas e depois empanturrava-me às três da manhã porque nunca me tinha alimentado de verdade."
Nada daquilo parecia comer. Era exatamente por isso que se acumulava.
Ver a noite, em vez de a adivinhar
Nadia começou a registar não porque quisesse uma dieta, mas porque pura e simplesmente não conseguia explicar o peso. Usou o Excaloricate porque acompanhava o ritmo de um turno: entre cliente e cliente conseguia escrever "duas doses de batatas do pass", "negroni que fiz para provar", "bebida energética grande" e obter um número em segundos.
O primeiro fim de semana que registou com honestidade foi um choque. Só os goles, as provas e os copos de fim de turno passavam das 1.000 calorias antes de a refeição das três sequer começar. O álcool pesava muito mais do que alguma vez teria imaginado: uns dois cocktails que tomara "só por convívio" equivaliam, em calorias, a um segundo jantar.
O que mudou atrás do balcão
Nadia não deixou de beber nem deixou o emprego. Fez um punhado de mudanças que encaixavam no caos:
- Uma refeição a sério antes do turno, sempre. Comer às cinco significava não saquear o pass da cozinha às nove. Foi a maior alavanca.
- Provar, não beber. Continuava a testar cocktails. Provava e despejava o resto em vez de acabar o copo.
- Um copo de fim de turno, registado — ou nenhum. Dava-se margem para um e anotava-o, para que fosse uma decisão e não um reflexo.
- Água com gás em vez da energética da meia-noite. O hábito da cafeína era, na verdade, um hábito de sede.
Onde foi parar
Em cerca de oito meses Nadia perdeu nove quilos. Os ataques de fome das três da manhã pararam quase por si quando deixou de chegar a casa esfomeada. Continua a trabalhar até tarde, continua a servir um negroni lindíssimo, continua a beber um copo de fim de turno quando a noite o merece.
O que mudou não foi a disciplina. Foi a visibilidade. Assim que conseguiu ver a noite como números em vez de um borrão, as soluções tornaram-se óbvias — e nenhuma lhe pedia que deixasse de ser bartender.
