← Voltar ao blog

Como Hugo perdeu 11 kg no ano em que parou de beber depois do trabalho

Hugo, 41 anos, era diretor de design em Lisboa e nunca se considerou grande bebedor. Não ficava bêbado. Apenas terminava cada dia de trabalho do mesmo jeito: dois ou três copos de tinto enquanto cozinhava, às vezes uma cerveja antes para aliviar a tensão de um dia longo. Um ritual para desacelerar, não um problema — ou era o que dizia a si mesmo durante quase toda a casa dos trinta, enquanto a balança subia cerca de um quilo por ano.

Aos 41 pesava 12 kg a mais do que nas fotos de casamento. Culpava o metabolismo, o trabalho de escritório, a idade. A única coisa que nunca contou foi o vinho, porque bebidas não pareciam comida.

O número que ele nunca tinha olhado

A tarde que mudou tudo não teve nada de dramático. Hugo registrou por impulso um copo de tinto e viu a estimativa: cerca de 125 calorias. Ele servia o copo como a maioria serve em casa — generoso — então mais para 160. Três deles davam quase 500 calorias. E ainda a cerveja. E o queijo e as bolachas que o vinho parecia invocar toda noite.

Somou uma noite típica e chegou a algo perto de 700 calorias que simplesmente nunca havia contabilizado. Não num exagero. Numa terça-feira comum.

Ele não comia demais no jantar. Bebia um segundo jantar por cima.

Por que isso era invisível

Hugo já tinha tentado emagrecer antes. Tinha cortado o pão, trocado por saladas maiores, caminhado mais. Nada se movia, e ele não entendia por quê, porque na cabeça dele comia de forma razoável. O ponto cego era que ele auditava o prato e ignorava completamente o copo.

O álcool é traiçoeiro por três motivos, e os três agiam sobre ele ao mesmo tempo:

  • É denso em calorias — quase tanto por grama quanto a gordura pura — mas chega como líquido, então nunca é registrado como "uma refeição".
  • Ele baixa em silêncio a barreira para todo o resto. O queijo, a torrada da madrugada, a segunda porção do "já que estou nessa" vinham todos na carona do vinho.
  • É um hábito diário, não um agrado ocasional, então os números pequenos se acumulam sete noites por semana.

O que ele realmente mudou

Hugo não parou de uma vez, e nem tentou. Começou registrando com honestidade cada bebida por duas semanas — sem mudanças, só dados. Ver o total semanal num só lugar fez quase todo o trabalho de convencimento.

Depois criou duas regras com as quais conseguia viver. Nos dias de semana, trocava o vinho por água com gás e limão enquanto cozinhava: mantinha o ritual e eliminava as calorias. Guardava o vinho para duas noites por semana e, na verdade, aproveitava mais por ser raro. A tábua de queijos foi junto com a noite de vinho, porque a vontade sempre esteve presa ao copo, não à fome.

Um ano depois

As duas primeiras semanas foram as mais difíceis — o ritual da noite parecia vazio sem a dose servida. Na terceira semana, a água com gás era o ritual. Ao longo do ano a balança caiu 11 kg, a maior parte nos primeiros cinco meses, depois uma descida lenta e constante.

O que mais surpreendeu Hugo não foi o peso. Foram as manhãs. Ele tinha presumido que dois ou três copos não tinham efeito real porque nunca ficava de ressaca. Quando sumiram, percebeu o quanto se sentia mais lúcido e bem menos inchado todos os dias.

Ele ainda bebe. Só parou de beber um segundo jantar que nunca percebeu que comia.

Community stories. Not medical advice. Consult a professional before changing your diet.