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Como o Mateo perdeu 10 kg na temporada em que uma rotura do ligamento cruzado o afastou do campo

O Mateo sempre tinha comido como um atleta porque era um. Futsal duas vezes por semana, um jogo da liga ao domingo, uma corrida de vez em quando. A comida era combustível, e nunca pensava duas vezes antes de repetir o prato ou de beber uma cerveja depois do jogo — até terça-feira já a teria queimado.

Então, num jogo de domingo sem importância, caiu mal sobre o joelho direito. Rotura do ligamento cruzado. Cirurgia, depois semanas de canadianas, e a seguir o desgaste lento da reabilitação. O campo — aquilo que durante quinze anos tinha equilibrado o seu apetite sem que desse por isso — desapareceu de repente.

Os quilos que não viu chegar

No primeiro mês quase nem reparou. No segundo, as calças contavam a história antes da balança. Comia exatamente como sempre — as porções de um homem que corria doze quilómetros por semana — só que agora estava no sofá com a perna ao alto. Ninguém o tinha avisado de que as calorias não param quando a atividade para.

Quando finalmente subiu à balança, tinha mais 6 kg. Frustrado e um pouco envergonhado, fez algo que nunca tinha precisado de fazer: começou a prestar atenção ao que realmente comia.

«Passei a vida a partir do princípio de que o exercício limparia a porcaria por mim. Tira-o e não fazia ideia de quanto comia de verdade.»

Trabalhar com aquilo que podia controlar

O Mateo não podia correr. Não podia agachar-se. Durante algum tempo, mal conseguia subir as escadas. Por isso deixou de lutar contra a parte da equação que não podia mudar e concentrou-se na que podia: o que entrava.

Começou a registar cada refeição — não para se obcecar, só para ver. O retrato era pouco lisonjeiro e esclarecedor ao mesmo tempo. O «pequeno» punhado de frutos secos à frente da televisão eram 300 calorias. Os batidos de recuperação que continuava a beber por hábito eram basicamente sobremesa líquida. As porções que faziam sentido para um jogador de futebol eram grandes demais para um homem de canadianas.

Algumas mudanças fizeram quase todo o trabalho:

  • Ajustou o tamanho dos pratos ao seu novo nível de atividade, não ao antigo.
  • Cortou primeiro as calorias líquidas — os batidos, o sumo, a cerveja ao jantar — porque eram as mais fáceis de tirar sem se sentir privado.
  • Manteve a proteína alta para que o músculo que ia reconstruindo aos poucos na reabilitação tivesse com que trabalhar.

A reabilitação e a balança a mexerem-se em conjunto

Com o passar dos meses, aconteceram duas coisas ao mesmo tempo. O joelho ficou mais forte e a balança começou a descer — devagar, pouco menos de meio quilo por semana. Quando o fisioterapeuta o autorizou a um trote leve, já tinha perdido 7 kg. Continuou a registar durante o regresso ao desporto e, no fim da temporada, tinha perdido 10 kg e estava mais definido do que antes da lesão.

A lição ficou-lhe. O exercício nunca tinha sido, na verdade, a sua ferramenta para emagrecer — apenas tinha escondido o quanto comia. A lesão obrigou-o a aprender o que todos os atletas acabam por descobrir: não se corre mais depressa do que o garfo, e não é preciso.

Hoje o Mateo está de volta ao campo. Continua a registar. Só que já não parte do princípio de que o próximo jogo apaga aquilo que a semana lhe puser à frente.

Community stories. Not medical advice. Consult a professional before changing your diet.